domingo, 20 de fevereiro de 2011

Dedicação da igreja




Introdução
A Igreja, desde que construída como edifício destinado unicamente e de modo estável a reunir o povo de Deus e a realizar os atos sagrados, torna-se casa de Deus. Por isso, de acordo com antiquíssimo costume da Igreja, convém que seja dedicada ao Senhor mediante rito solene. Quando a igreja é dedicada, tudo o que nela se encontra , fonte batismal, cruz, imagens, órgão, sinos, estações da “via-sacra”, deve considerar-se abençoado e erigido com o próprio rito da dedicação, não sendo precisa nova bênção ou ereção. Toda igreja dedicada deve ter um Titular. 
Convém se mantenha a tradição da Liturgia Romana de encerrar sob o altar relíquias dos Mártires ou de outros Santos. Note-se que sejam partes dos corpos e que de tamanho tal que isso seja notado e que sejam postas sob a mesa do altar.

A liturgia de dedicação principia com as I Vésperas no dia anterior, quando havendo relíquias são apresentadas para veneração pública. Se existem relíquias, é muito conveniente que seja celebrada uma vigília com as mesmas. Tais cerimonias se fazem em uma capela ou outro local fora da Igreja a ser dedicada.


Preparativos
Deve-se preparar
a) no local onde sai a procissão: 
  • Pontifical Romano
  • Missal Romano
  • Paramentos para todos (lembremo-nos das vimpas
  • Insígnias para o bispo (especialmente nesta ocasião seria conveniente que usasse dalmática
  • Cruz processional (sem velas) 
caso se transportem relíquias, prepara-se ainda: 
  • cofre com as relíquias, ladeado de flores e tochas
  • para os diáconos que vão transportá-las salva, estola e dalmáticas vermelhas, se os que carregam forem padres, estola e casula vermelhas. Se não forem mártires os mesmos paramentos, mas brancos.
b) No presbitério da igreja a ser dedicada: 
  • Missal Romano
  • Lecionário
  • Caldeirinha com água e hissopo
  • Santo Crisma
  • Toalhas para limpar a mesa do altar
  • Toalha impermeável e 1 ou 2 outras toalhas para o altar
  • cruz e sete velas (ou no mínimo 2) para o altar
  • Lavabo e manustérgio para lavar as mãos do Bispo
  • (Sabonete e limão para lavar as mãos, tirando o óleo e o cheiro característico do Santo Crisma)
  • gremial e manícoto
  • pequeno fogareiro
  • pão, vinho e água para a celebração da missa
  • flores para enfeitar o altar
  • uma vela pequena que o bispo há de entregar ao diácono
  • véu-umeral, caso também se inaugure a capela do santíssimo sacramento ou o sacrário 

Início
O bispo é comodamente recebido, se iniciar-se a celebração em outra igreja, reza como de costume onde se encontra a reserva Eucarística. Se for na própria igreja e não houver ali reserva eucarística, segue da porta para o vestiário. 
Para se entrar na Igreja a ser dedicada existem 3 opções: procissão, entrada solene, entrada simples. Dando-se preferência à primeira.
Após a acolhida, o papa reza antes do início da missa na qual fará a dedicação de uma igreja. 
Procissão
Em outra Igreja ou local conveniente, onde devem estar as relíquias se existem. O bispo dá início à missa como de costume: "Em nome do Pai...", "A paz esteja convosco" como breves palavras introduz o povo ao espírito da celebração e, em seguida, inicia a procissão. Não se usa velas nem incenso. Chegando à porta da Igreja, que deve estar fechada, aqueles que cuidaram da construção da igreja entregam ao bispo diocesano as chaves dirigindo a ele e ao povo breves palavras. Em seguida o bispo ordena ao sacerdote, a que compete o múnus pastoral da igreja (pároco ou administrador paroquial) que abra as portas. estando abertas as postar, o bispo convida o povo a entrar processionalmente: "Entrai pelas portas do Senhor...". Todos entram enquanto canta-se "Ó portas levantai vossos frontões". O bispo entra, sem beijar o altar e vai direto à cátedra onde dá continuidade à celebração. Se houver relíquias são depositadas no presbitério em lugar conveniente rodeadas pelas tochas.

Entrada Solene

Os fiéis reúnem-se à porta da igreja que vai ser dedicada. As relíquias já terão sido depositadas no presbitério previamente. O bispo inicia a celebração à porta. Seria muito conveniente que esta estivesse fechada e que a procissão fosse a frete da igreja por outro caminho, caso isso seja demasiadamente difícil, os ministros podem sair pela porta da igreja, que permanece já aberta. 
Inicia-se normalmente. Um dos encarregados da construção da igreja entrega as chaves ao bispo, se as portas estavam fechadas, abrem-se. O bispo convida todos a entrarem na igreja, como quando se faz a procissão. 

Entrada Simples
Estando os fiéis reunidos já na Igreja, o bispo e os ministros dirigem-se para o presbitério habitualmente. As relíquias sã levadas na própria procissão de entrada. O bispo sem beijar ou incensar o altar dá início a celebração, em seguida são-lhe entregues as chaves da igreja como nos ritos acima. 

Papa realizando a entrada de forma simples

Bênção da Água e Aspersão

Terminada a entrada, o bispo sem incensar o altar e sem beijá-lo vai para a Cátedra, permanecendo de pé. Então, quando todos estiverem nos seus lugares, dá início à bênção da água. Finda a bênção, o bispo assistido por diáconos, percorre a nave da igreja aspergindo o povo e as paredes. De regresso ao presbitério, asperge o altar. Em seguida canta-se o hino: "Glória a Deus nas alturas". Em seguida o bispo diz "Oremos" e profere a Oração do Dia.
Asperção do altar 


Liturgia da Palavra
O bispo senta-se como de costume. Antes, porém, do inicio das leituras, os dois leitores e o salmista vão até o bispo segurando o lecionário que tomaram da credência. Entregam-no ao bispo que mostra ao povo, permanecendo na cátedra: "A Palavra de Deus ressoe sempre...". Os leitores e o salmista dirigem-se para o ambão levando o evangeliário de modo que todos vejam. Usam-se leituras próprias que se encontram no Lecionário do Pontifical Romano Findas as leituras, proclama-se o evangelho como de costume. Não se usa, porém, incenso nem velas. O diácono pede a bênção ao bispo, pega o evangeliário que está sobre o altar desnudo e dirige-se para o ambão.

Bento XVI durante rito de dedicação, na cátedra. 
Durante a homilia, que o bispo faz comodamente da Cátedra, ressalta a dignidade da casa de Deus que é a igreja, do respeito que se deve ter com ela e do significado do rito da Dedicação. Terminada a homilia, todos dizem ou cantam o Creio. 

Ladainha

Após a liturgia da palavra, o bispo convida o povo a orar: "Meus irmãos e minhas irmãs, oremos a Deus..." Em seguida, fora do tempo pascal e domingos, um diácono diz: Ajoelhemo-nos. E todos se ajoelham. Para o bispo seria conveniente um faldistório. No tempo pascal e domingos, todos permanecem de pé. Canta-se, então a Ladainha de Todos os Santos, inserido-se na parte adequada, o titular da igreja, dos santos cujas relíquias forem depositadas e o padroeiro do local. terminada a ladainha, o bispo, de pé, de mãos estendidas recita: "Senhor, aceitai com clemência". Se estiverem ajoelhamos o diácono, ao final diz: "Levantai-vos". 

Deposição das Relíquias

Depois, se houver relíquias de santos, são depositadas sob o altar. O bispo dirige-se para o altar. Um diácono ou presbítero apresenta as relíquias ao bispo, que as encerra em um sepulcro previamente preparado. Um pedreiro fecha o sepulcro, e o bispo volta à cátedra.
Altar da Igreja dos Arautos, relíquias dispostas debaixo da ara.


Prece de Dedicação e Unções
Em seguida, de mãos estendidas, da cátedra ou do altar canta ou recita: "Deus Santificador e Guia de vossa Igreja...". Em seguida o bispo tira, se necessário, a casula e põe o gremial. Se não estiver no altar, dirige-se para ele acompanhado pelos diáconos e outros ministros, um deles portando o Santo Crisma. Então diz: "O altar e a casa" e derrama o Crisma no meio do altar e nos quatro lados do altar. 
Depois disso unge as paredes da igreja, marcando as doze ou quatorze cruzes dispostas nas paredes com o sinal da cruz. Nisto pode ser ajudado por dois ou quatro presbíteros, não porém diáconos. Feitas as unções, o bispo volta para a cátedra, os ministros lavam-lhe as mãos. O bispo depõe o gremial e toma novamente a casula.

Derramando ólego nas quatro pontas e no meio no início da unção.

Papa usando dalmática, gremial e mitra, durante unção do altar.

Primeira Incensação da nova igreja

Coloca-se um fogareiro sobre o altar com brasas. O bispo, sem mitra, coloca incenso no fogareiro e benze-o. Ou coloca sobre o altar um punhado de incenso e velas. O bispo coloca incenso no fogareiro e benze-o; ou com uma pequena vela acende o incenso, dizendo: "Suba a nossa oração, Senhor". 
Depois o bispo coloca incenso nalguns turíbulos, benze-os e incensa o altar. Em seguida volta para a cátedra, é incensado, sem mitra, e senta-se. Os ministros percorrem a nave da igreja incensando o altar e as paredes. Enquanto isso canta-se.
Queimando inceso em um incesório sobre o altar. 


Iluminação do altar e da igreja
Depois de terminado o canto e a incensação, limpa-se o altar e, se necessário estende-se sobre ele a toalha impermeável e a(s) outra(s). Adorna-se o altar com flores e depõe-se sobre ele os castiçais (7, por se tratar de uma missa estacional) e o crucifixo. 
Depois o diácono aproxima-se do bispo, este lhe entrega-lhe uma pequena vela acesa dizendo: "A luz de Cristo". Em seguida o bispo senta-se e o diácono acende as velas do altar e as próximas às cruzes. 

Leigas limpando o altar, para serem postas as toalhas .
Diácono dispondo as velas sobre o altar. 

Diácono acendendo a vela junto à cruz na parede da igreja. 


Liturgia Eucarística
Diáconos e ministros preparam o altar como de costume. O bispo ao dirigir-se para o altar, antes da apresentação dos dons, beija-o, não se incensa o altar no momento do ofertório. No Cânon Romano (Oração Eucarística I) ou na III, usa-se o prefácio próprio do rito de dedicação da igreja. No Cânon, diz-se "Recebei, ó Pai" próprio, na Oração Eucarística III, insere-se a intercessão própria. A missa encerra-se como de costume. Se houver inauguração da capela do Santíssimo Sacramento, seja feita após a oração depois da comunhão, da seguinte forma:


Inauguração da Capela do Santíssimo Sacramento
O santíssimo permanece no alta após a comunhão, o bispo sem solidéu diz a oração. Então, volta ao altar, coloca incenso no turíbulo e benze-o. Ajoelha-se e incensa o santíssimo. Depois, recebe o véu de ombros e com ele pega a âmbula. Organiza-se a procissão até a capela:
  • Na frente vai o cruciferário, rodeado pelos ceroferários com duas velas
  • Segue-se o clero: diáconos, presbíteros concelebrantes
  • O acólito com o báculo do bispo
  • Dois turiferários com os turíbulos
  • O bispo com o Santíssimo Sacramento
  • Os dois diáconos assistentes
  • Os acólitos com o livro e a mitra
Todos levam velas; em volta do Santíssimo Sacramento, tochas. Durante a procissão canta-se. Chegando a procissão a capela da reposição, o bispo entrega a âmbula ao diácono, este a depõe sobre o alta ou dentro do sacrário mantendo a porta aberta. O bispo de joelhos incensa o Santíssimo Sacramento. Durante certo tempo todos rezam em silêncio. Então, o diácono guarda a âmbula do sacrário, se já não estiver e fecha a porta. Um acólito acende a lâmpada que ficará constantemente acesa indicando a presença do Santíssimo Sacramento.
Se a capela ficar em lugar visível aos fiéis que estão na nave da igreja, segue a bênção; se não, volta de maneira habitual para o presbitério e neste o bispo abençoa. Usa-se a fórmula pontifical. O diácono despede o povo e faz-se a procissão final como de costume.

Bibliografia:

  • Cerimonial dos Bispos (VI Parte - Sacramentais; Capítulo IX - dedicação de igreja; 864 - 915)

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