domingo, 20 de fevereiro de 2011

Dedicação da igreja




Introdução
A Igreja, desde que construída como edifício destinado unicamente e de modo estável a reunir o povo de Deus e a realizar os atos sagrados, torna-se casa de Deus. Por isso, de acordo com antiquíssimo costume da Igreja, convém que seja dedicada ao Senhor mediante rito solene. Quando a igreja é dedicada, tudo o que nela se encontra , fonte batismal, cruz, imagens, órgão, sinos, estações da “via-sacra”, deve considerar-se abençoado e erigido com o próprio rito da dedicação, não sendo precisa nova bênção ou ereção. Toda igreja dedicada deve ter um Titular. 
Convém se mantenha a tradição da Liturgia Romana de encerrar sob o altar relíquias dos Mártires ou de outros Santos. Note-se que sejam partes dos corpos e que de tamanho tal que isso seja notado e que sejam postas sob a mesa do altar.

A liturgia de dedicação principia com as I Vésperas no dia anterior, quando havendo relíquias são apresentadas para veneração pública. Se existem relíquias, é muito conveniente que seja celebrada uma vigília com as mesmas. Tais cerimonias se fazem em uma capela ou outro local fora da Igreja a ser dedicada.


Preparativos
Deve-se preparar
a) no local onde sai a procissão: 
  • Pontifical Romano
  • Missal Romano
  • Paramentos para todos (lembremo-nos das vimpas
  • Insígnias para o bispo (especialmente nesta ocasião seria conveniente que usasse dalmática
  • Cruz processional (sem velas) 
caso se transportem relíquias, prepara-se ainda: 
  • cofre com as relíquias, ladeado de flores e tochas
  • para os diáconos que vão transportá-las salva, estola e dalmáticas vermelhas, se os que carregam forem padres, estola e casula vermelhas. Se não forem mártires os mesmos paramentos, mas brancos.
b) No presbitério da igreja a ser dedicada: 
  • Missal Romano
  • Lecionário
  • Caldeirinha com água e hissopo
  • Santo Crisma
  • Toalhas para limpar a mesa do altar
  • Toalha impermeável e 1 ou 2 outras toalhas para o altar
  • cruz e sete velas (ou no mínimo 2) para o altar
  • Lavabo e manustérgio para lavar as mãos do Bispo
  • (Sabonete e limão para lavar as mãos, tirando o óleo e o cheiro característico do Santo Crisma)
  • gremial e manícoto
  • pequeno fogareiro
  • pão, vinho e água para a celebração da missa
  • flores para enfeitar o altar
  • uma vela pequena que o bispo há de entregar ao diácono
  • véu-umeral, caso também se inaugure a capela do santíssimo sacramento ou o sacrário 

Início
O bispo é comodamente recebido, se iniciar-se a celebração em outra igreja, reza como de costume onde se encontra a reserva Eucarística. Se for na própria igreja e não houver ali reserva eucarística, segue da porta para o vestiário. 
Para se entrar na Igreja a ser dedicada existem 3 opções: procissão, entrada solene, entrada simples. Dando-se preferência à primeira.
Após a acolhida, o papa reza antes do início da missa na qual fará a dedicação de uma igreja. 
Procissão
Em outra Igreja ou local conveniente, onde devem estar as relíquias se existem. O bispo dá início à missa como de costume: "Em nome do Pai...", "A paz esteja convosco" como breves palavras introduz o povo ao espírito da celebração e, em seguida, inicia a procissão. Não se usa velas nem incenso. Chegando à porta da Igreja, que deve estar fechada, aqueles que cuidaram da construção da igreja entregam ao bispo diocesano as chaves dirigindo a ele e ao povo breves palavras. Em seguida o bispo ordena ao sacerdote, a que compete o múnus pastoral da igreja (pároco ou administrador paroquial) que abra as portas. estando abertas as postar, o bispo convida o povo a entrar processionalmente: "Entrai pelas portas do Senhor...". Todos entram enquanto canta-se "Ó portas levantai vossos frontões". O bispo entra, sem beijar o altar e vai direto à cátedra onde dá continuidade à celebração. Se houver relíquias são depositadas no presbitério em lugar conveniente rodeadas pelas tochas.

Entrada Solene

Os fiéis reúnem-se à porta da igreja que vai ser dedicada. As relíquias já terão sido depositadas no presbitério previamente. O bispo inicia a celebração à porta. Seria muito conveniente que esta estivesse fechada e que a procissão fosse a frete da igreja por outro caminho, caso isso seja demasiadamente difícil, os ministros podem sair pela porta da igreja, que permanece já aberta. 
Inicia-se normalmente. Um dos encarregados da construção da igreja entrega as chaves ao bispo, se as portas estavam fechadas, abrem-se. O bispo convida todos a entrarem na igreja, como quando se faz a procissão. 

Entrada Simples
Estando os fiéis reunidos já na Igreja, o bispo e os ministros dirigem-se para o presbitério habitualmente. As relíquias sã levadas na própria procissão de entrada. O bispo sem beijar ou incensar o altar dá início a celebração, em seguida são-lhe entregues as chaves da igreja como nos ritos acima. 

Papa realizando a entrada de forma simples

Bênção da Água e Aspersão

Terminada a entrada, o bispo sem incensar o altar e sem beijá-lo vai para a Cátedra, permanecendo de pé. Então, quando todos estiverem nos seus lugares, dá início à bênção da água. Finda a bênção, o bispo assistido por diáconos, percorre a nave da igreja aspergindo o povo e as paredes. De regresso ao presbitério, asperge o altar. Em seguida canta-se o hino: "Glória a Deus nas alturas". Em seguida o bispo diz "Oremos" e profere a Oração do Dia.
Asperção do altar 


Liturgia da Palavra
O bispo senta-se como de costume. Antes, porém, do inicio das leituras, os dois leitores e o salmista vão até o bispo segurando o lecionário que tomaram da credência. Entregam-no ao bispo que mostra ao povo, permanecendo na cátedra: "A Palavra de Deus ressoe sempre...". Os leitores e o salmista dirigem-se para o ambão levando o evangeliário de modo que todos vejam. Usam-se leituras próprias que se encontram no Lecionário do Pontifical Romano Findas as leituras, proclama-se o evangelho como de costume. Não se usa, porém, incenso nem velas. O diácono pede a bênção ao bispo, pega o evangeliário que está sobre o altar desnudo e dirige-se para o ambão.

Bento XVI durante rito de dedicação, na cátedra. 
Durante a homilia, que o bispo faz comodamente da Cátedra, ressalta a dignidade da casa de Deus que é a igreja, do respeito que se deve ter com ela e do significado do rito da Dedicação. Terminada a homilia, todos dizem ou cantam o Creio. 

Ladainha

Após a liturgia da palavra, o bispo convida o povo a orar: "Meus irmãos e minhas irmãs, oremos a Deus..." Em seguida, fora do tempo pascal e domingos, um diácono diz: Ajoelhemo-nos. E todos se ajoelham. Para o bispo seria conveniente um faldistório. No tempo pascal e domingos, todos permanecem de pé. Canta-se, então a Ladainha de Todos os Santos, inserido-se na parte adequada, o titular da igreja, dos santos cujas relíquias forem depositadas e o padroeiro do local. terminada a ladainha, o bispo, de pé, de mãos estendidas recita: "Senhor, aceitai com clemência". Se estiverem ajoelhamos o diácono, ao final diz: "Levantai-vos". 

Deposição das Relíquias

Depois, se houver relíquias de santos, são depositadas sob o altar. O bispo dirige-se para o altar. Um diácono ou presbítero apresenta as relíquias ao bispo, que as encerra em um sepulcro previamente preparado. Um pedreiro fecha o sepulcro, e o bispo volta à cátedra.
Altar da Igreja dos Arautos, relíquias dispostas debaixo da ara.


Prece de Dedicação e Unções
Em seguida, de mãos estendidas, da cátedra ou do altar canta ou recita: "Deus Santificador e Guia de vossa Igreja...". Em seguida o bispo tira, se necessário, a casula e põe o gremial. Se não estiver no altar, dirige-se para ele acompanhado pelos diáconos e outros ministros, um deles portando o Santo Crisma. Então diz: "O altar e a casa" e derrama o Crisma no meio do altar e nos quatro lados do altar. 
Depois disso unge as paredes da igreja, marcando as doze ou quatorze cruzes dispostas nas paredes com o sinal da cruz. Nisto pode ser ajudado por dois ou quatro presbíteros, não porém diáconos. Feitas as unções, o bispo volta para a cátedra, os ministros lavam-lhe as mãos. O bispo depõe o gremial e toma novamente a casula.

Derramando ólego nas quatro pontas e no meio no início da unção.

Papa usando dalmática, gremial e mitra, durante unção do altar.

Primeira Incensação da nova igreja

Coloca-se um fogareiro sobre o altar com brasas. O bispo, sem mitra, coloca incenso no fogareiro e benze-o. Ou coloca sobre o altar um punhado de incenso e velas. O bispo coloca incenso no fogareiro e benze-o; ou com uma pequena vela acende o incenso, dizendo: "Suba a nossa oração, Senhor". 
Depois o bispo coloca incenso nalguns turíbulos, benze-os e incensa o altar. Em seguida volta para a cátedra, é incensado, sem mitra, e senta-se. Os ministros percorrem a nave da igreja incensando o altar e as paredes. Enquanto isso canta-se.
Queimando inceso em um incesório sobre o altar. 


Iluminação do altar e da igreja
Depois de terminado o canto e a incensação, limpa-se o altar e, se necessário estende-se sobre ele a toalha impermeável e a(s) outra(s). Adorna-se o altar com flores e depõe-se sobre ele os castiçais (7, por se tratar de uma missa estacional) e o crucifixo. 
Depois o diácono aproxima-se do bispo, este lhe entrega-lhe uma pequena vela acesa dizendo: "A luz de Cristo". Em seguida o bispo senta-se e o diácono acende as velas do altar e as próximas às cruzes. 

Leigas limpando o altar, para serem postas as toalhas .
Diácono dispondo as velas sobre o altar. 

Diácono acendendo a vela junto à cruz na parede da igreja. 


Liturgia Eucarística
Diáconos e ministros preparam o altar como de costume. O bispo ao dirigir-se para o altar, antes da apresentação dos dons, beija-o, não se incensa o altar no momento do ofertório. No Cânon Romano (Oração Eucarística I) ou na III, usa-se o prefácio próprio do rito de dedicação da igreja. No Cânon, diz-se "Recebei, ó Pai" próprio, na Oração Eucarística III, insere-se a intercessão própria. A missa encerra-se como de costume. Se houver inauguração da capela do Santíssimo Sacramento, seja feita após a oração depois da comunhão, da seguinte forma:


Inauguração da Capela do Santíssimo Sacramento
O santíssimo permanece no alta após a comunhão, o bispo sem solidéu diz a oração. Então, volta ao altar, coloca incenso no turíbulo e benze-o. Ajoelha-se e incensa o santíssimo. Depois, recebe o véu de ombros e com ele pega a âmbula. Organiza-se a procissão até a capela:
  • Na frente vai o cruciferário, rodeado pelos ceroferários com duas velas
  • Segue-se o clero: diáconos, presbíteros concelebrantes
  • O acólito com o báculo do bispo
  • Dois turiferários com os turíbulos
  • O bispo com o Santíssimo Sacramento
  • Os dois diáconos assistentes
  • Os acólitos com o livro e a mitra
Todos levam velas; em volta do Santíssimo Sacramento, tochas. Durante a procissão canta-se. Chegando a procissão a capela da reposição, o bispo entrega a âmbula ao diácono, este a depõe sobre o alta ou dentro do sacrário mantendo a porta aberta. O bispo de joelhos incensa o Santíssimo Sacramento. Durante certo tempo todos rezam em silêncio. Então, o diácono guarda a âmbula do sacrário, se já não estiver e fecha a porta. Um acólito acende a lâmpada que ficará constantemente acesa indicando a presença do Santíssimo Sacramento.
Se a capela ficar em lugar visível aos fiéis que estão na nave da igreja, segue a bênção; se não, volta de maneira habitual para o presbitério e neste o bispo abençoa. Usa-se a fórmula pontifical. O diácono despede o povo e faz-se a procissão final como de costume.

Bibliografia:

  • Cerimonial dos Bispos (VI Parte - Sacramentais; Capítulo IX - dedicação de igreja; 864 - 915)
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Preparando-se para a Confissão




Este texto tem como objetivo auxiliar no Exame de Consciência de quem está preparando-se para confessar. Ele tem perguntas em cima dos 10 mandamentos; dos Mandamentos da Igreja; e dos Pecados Capitais.

SOBRE OS MANDAMENTOS DE DEUS

Primeiro Mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças" (Dt 6,5)
Duvidei da existência de Deus? Acreditei apenas num ser supremo? Reneguei ou abandonei a minha fé? Pensei ou afirmei que todas as religiões são boas? Procurei aprender a minha religião? Rezei todos os dias? Li livros ou revistas imorais, escritos ou jornais contrários à fé e aos bons costumes? Conservei estes escritos comigo? Emprestei-os a outros? Assisti a programas de TV ou fimes contrários à fé e aos bons costumes? Zombei da religião ou de seus ministros? Desconfiei da Misericórdia de Deus? Queixei-me de Sua Providência na doença, na pobreza e nos sofrimentos? Deixei de fazer, por muito tempo, os atos de fé, de esperança e de amor? Zombei das coisas santas? Revoltei-me contra Deus? Frequentei reuniões, cultos ou organizações contrários à minha fé, como espiritismo, umbanda, quimbanda, jorei, saravá, batuque, maçonaria, curandeirismo, seicho-no-yê, cartomantes, magia, feiticeiros, benzedeiras, adivinhos? Estou portanto comigo orações supersticiosas? Agouros? Amuletos? Figurinhas? Despachos? Acreditei ou usei horóscopos? Fiz curso de controle mental ou desenvolvimento mental e emocional ou meditação transcedental? Talvez não tenha participado diretamente nestas reuniões, cultos ou organizações contrárias à minha fé, mas deles participaram meus pais, parentes ou outros e me comprometeram indiretamente? Talvez tenha ido apenas por estudo ou curiosidade (contudo você ficou comprometido)? Coloquei as coisas do mundo, tais como riqueza, prazer, poder, fama, os meus conhecimentos, acima de Deus? Adorei a Satanás? Invoquei a satanás? Invoquei os espíritos dos mortos? Acreditei na reencarnação?

Segundo Mandamento: "Não pronunciarás o Nome do Senhor teu Deus em vão"
Pronunciei o nome de Deus dizendo palavras irreverentes? Roguei praga contra Deus? Ofendi a Deus com palavras? Pronunciei o nome dos Santos sem respeito? Blasfemei contra Deus? Nossa Senhora? Os Santos? Contra a Igreja? Contra os Sacramentos? Jurei falso ou sem necessidade? Prometi coisas ruins com juramento? Tenho deixado de cumprir promessas que fiz? Falei das coisas santas sem respeito?

Tereceiro Mandamento: "Guardarás o Domingo e Dias Santos de preceito"
Participei de Missa aos domingos e dias Santos? Cheguei tarde por própria culpa? Fui irreverente na Igreja, rindo e conversando inutilmente? Tenho trabalhado aos domingos e dias santos sem necessidade? Aproveitei estes dias para rezar mais e passar mais tempo com a família? Obriguei outros a trabalharem sem justa causa em dia santo?

Quarto Mandamento: "Honrarás Pai e Mãe"
Fui malcriado para com meus pais e superiores? Entristeci-os gravemente? Desejei-lhes mal? Desobedeci-lhes em coisas importantes? Zombei de pessoas pobres, idosas, aleijadas? Tive vergonha de meus pais? Neguei-lhes minha ajuda e assistência, sobretudo se velhos ou doentes? Amo a meus pais? Honro a meus pais? Perdôo-lhes? Rezo por eles?

Quinto Mandamento: "Não Matarás"
Expus-me ao perigo de vida sem necessidade? Tentei suicídio? Fui imoderado no comer e beber? Embriaguei-me? Usei tóxico? Injuriei os outros? Deixei de ajudar o próximo em suas necessidades espirituais ou materiais? Briguei? Alimentei pensamentos ou desejos de vingança? Tive raiva ou ódio do meu próximo? Desejei-lhe algum mal? Desejei-lhe a morte? Conservei alguma inimizade? Denunciei alguém injustamente à autoridade para tirar proveito? Pus em perigo a vida corporal ou espiritual de outros? Com palavras? Omissões? Atitudes exageradas? Temeridade na  direção do carro? Convidei alguém para o pecado? Disse palavras injuriosas para o meu próximo? Aconselhei ou provoquei aborto? Fiquei triste com o bem do próximo? Dei mal exemplo?

Sexto e Nono Mandamentos: "Não pecarás contra a castidade" e "Não cobiçarás a mulher do próximo"
Faltei ao pudor? Despi-me diante dos outros? Cometi pecados impuros comigo mesmo (masturbação), com outros? Com animais? Provoquei tentações ou desejos impuros por más leituras, toques, filmes, bailes licensiosos, trajes indecentes? Contei piadas imorais? Procurei as ocasiões de pecado? Rezo pedindo a Deus a força de ser casto? Tive relações fora do matrimônio? Liberdades no namoro? Defendi a promiscuidade e relações pré-matrimoniais? Defendi o divórcio? O aborto? Desejei adultério? Pratiquei adultério? (este pecado deve ser considerado como violação de uma lei de Deus e não apenas uma inofensiva falta moral; o adultério destrói a família).

Sétimo e Décimo Mandamentos: "Não furtarás, não cobiçarás as coisas alheias"
Tenho furtado alguma coisa dos outros? Tenho furtado dinheiro dos meus pais? Cobicei as coisas alheias? Aceitei ou comprei as coisas furtadas sabendo que eram roubadas? Fiquei com coisas achadas sem procurar o dono? Planejei algum furto? Causei prejuízo de propósito ou por negligência? Paguei as minhas dívidas? Procurei reparar os danos causados? Abusei da alta dos preços? Cobrei juros excessivos? Enganei o próximo nas compras e vendas? Apelei injustamente para as leis trabalhistas para obter indenizações indevidas? Desperdicei tempo de trabalho? Retive coisas que deveria ter dado ao próximo? (a devolução faz parte do perdão do pecado)

Oitavo Mandamento: "Não levantarás falso testemunho"
Menti? Falei mal dos outros? Difamei? Caluniei? Fiz juízos falsos e temerários? Semeei discórdia, inimizades na família? Provoquei inimizades políticas? Exagerei as faltas dos outros? Dei falso testemunho contra o próximo? Sou critiqueiro, fofoqueiro e mexeriqueiro? Gosto de ouvir falar mal dos outros? Reparei o mal que fiz com calúnias, mexericos? (a reparação faz parte do perdão do pecado).

SOBRE OS MANDAMENTOS DA IGREJA

1) Ouvir missa inteira nos domingos e festas de guarda;
2) Confessar-se ao menos uma vez cada ano;
3) Comungar ao menos uma vez pela Páscoa da ressurreição;
4) Jejuar e abster-se de carne, quando manda a Santa Mãe Igreja;
5) Pagar dízimo, segundo o costume.

Deixei de confessar-me ao menos uma vez cada ano? Confessei-me sem contrição sincera e sem firme propósito de corrigir-me? Não cumpri a penitência imposta? Não fiz a comunhão pascal (Páscoa)? Comunguei sabendo que estava em pecado grave? Faltei ao jejum prescrito? Comi carne nos dias de abstinência? Ajudei à Igreja, participei com interesse na vida paroquial? Rezei pela Igreja? Engajei-me como apóstolo pelo exemplo e pela participação e também financeira? Obedeci às justas leis do Estado? Aproveitei-me de bens públicos ilicitamente? Usei mal ou desperdicei bens públicos? Soneguei impostos?

SOBRE OS PECADOS CAPITAIS

O Pecado contra o "Eu"
Como Templo vivo do Espírito Santo (I Cor 3, 16-17) criado à imagem e semelhança de Deus, como vai meu orgulho? Minha soberba? Minha auto-suficiência? Minha vaidade? Minha necessidade de chamar a atenção? Minha vida emocional? Conheço-me como sou? E o meu ativismo? Meu complexo de "salvador do mundo"?

O Pecado contra o "Nós"
Qual tem sido minha atitude em relação aos que tem salário insuficiente? A sub-moradia e à falta de moradia? Ao desemprego ou sub-emprego? Aos que estão passando fome ou se alimentando mal? Aos que passam frio por falta de vestuário adequado? Aos doentes, aos quais faltam remédios, atendimento e hospital? Em relação ao analfabetismo? Como tenho vivido minha pobreza evangélica? Tenho esbanjado com compras inúteis, bebidas alcoólicas, comidas exageradas, roupas que exaltam apenas a minha vaidade? Tenho pregado Jesus Cristo ou divisões, lutas de classe, discórdias? Como vai minha inveja? Meu ciúme? Meu ressentimento? Como vão as minhas amizades? Tenho amigos? Minha vida tem equilíbrio? Como vai minha família? Parentes? Vizinhos?

O Pecado contra o "Ter Bens"
Como está o dinheiro em minha vida? Como está o materialismo? Os apegos às coisas materiais: meu carro? Saber mais para poder exaltar-me?

O Pecado contra a autopreservação (autodefesa)
Como vai a minha impaciência? A minha ira? O meu desejo desordenado de vingança? O meu ódio? A minha raiva?

O Pecado contra "Alimentar-se"
Como vai a gula em minha vida? Eu vivo somente ao nível de prazer? A comida? A bebida? Tóxicos? Remédios? Tevelisão? Música? Cigarros? Café? A minha gula intelectual (em nivel de prazer)? A minha gula do saber, para exaltar-me?

O Pecado contra o "Descansar"
Como vai a minha preguiça? Como vai a minha omissão? Eu começo um trabalho e nunca consigo ir ao fim? Como está o meu lazer? Como ocupo o meu tempo?

O Pecado contra o "Sexo"
Como está a minha sexualidade? Minha imaginação? Como está o orgulho da carne? Tenho relacionamento errado? Sou permissivo?

ATO DE CONTRIÇÃO

Meus Jesus, crucificado por minha culpa, estou arrependido de ter pecado, pois ofendi a Vós, que sois tão bom. Mereço ser castigado neste mundo e no outro. Mas, perdoa-me, por piedade. Não quero mais pecar. Ajuda-me com a Vossa graça. Amém!
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A Igreja aboliu o uso da Batina pelos sacerdotes?



Pe. Marcelo Vieira Junior - Pároco de São Antônio do Descoberto (Go)

Semana passada, uma imagem chamou atenção dos brasileiros. Estava lá, em todos os canais de TV, a cidadezinha goiana de Santo Antônio do Descoberto, próxima a Brasília (DF), passou por momentos que mais pareciam uma guerra; até que, de repente, aparece um padre, novinho, de batina, chamando o povo para dentro da Igrejinha.
Espera aí! DE BATINA??? Sim! De batina.
Mais a Igreja não aboliu a batina? (com certeza pensaram muitos).
Não! A Igreja Católica NUNCA aboliu o uso da Batina.
Tá. Não aboliu, porém, é ultrapassado né? Usar batina! Nesse calor! (pensaram muuitos outros).
Não! Não é ultrapassado.
E, o calor, não impede as pessoas de usarem calça jeans, calça de sarja, paletó e gravata, etc...
O padre em questão, pe. Marcelo Vieira Junior, de apenas 33 anos, chamou tanta atenção pela coragem e pelo uso da (abolida?) batina, que foi até entrevistado pela Globo para o Fantástico.

Papa Bento XVI e bispos de batina

Confesso que fiquei surpresa e feliz ao ver o sacerdote de batina! Muito feliz!
Infelizmente, sei que isso causou espanto em muitas pessoas e muitos devem ter pensado que esse padre é tradicionalista ou antiquado.
Porém, a verdade, é que esse sacerdote, como muitos outros jovens sacerdotes, não são ultrapassados ou tradicionalistas, mais sim, são obedientes a Igreja.
Como assim obedientes? (alguns podem perguntar ou pensar).
Porque a Igreja NUNCA aboliu o uso da Batina pelos sacerdotes. Pelo contrário, no Código de Direito Canônico a Igreja determina que o sacerdote deve usar o hábito eclesiástico.
Agora, infelizmente, muitos de nossos sacerdotes (senão a maioria) desobedecem essa norma da Igreja; o que faz parecer para os católicos mais desavisados e até para os não-católicos que a Igreja aboliu a batina.
Esquecem eles que, rotineiramente, o Santo Padre deixa-se fotografar com o referido hábito (como na foto acima), só que a dele é branca e não preta.

Imposição da Batina

Pe. Anderson Marçal - Canção Nova - com a Batina

Pe. Paulo Ricardo de Batina

Felizmente, os jovens sacerdotes estão mais obedientes e é mais comum vermos padres de batina. Um dos grandes expoentes hoje do uso da batina é o pe. Paulo Ricardo, que mora em Cuiabá (MS), e sempre está na TV católica Canção Nova vestido de batina.
Mais, afinal, o que diz o Código de Direito Canônico?
Código de Direito Canônico, no cânon 284 reza que:

"Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais."
Bem, o Código não fala de batina; fala de hábito eclesiástico, no entanto, a batina é o hábito eclesiástico por excelência. E a CNBB, após entendimento com a Santa Sé, determinou que os clérigos usem, no Brasil, um traje eclesiástico digno e simples, de preferência o "clergyman" ou a "batina".

Conforme o pronunciamento do Papa João Paulo II, a forma de vestir dos sacerdotes deveria ser, de algum modo, sinal da dedicação pessoal e elemento quantificante da condição de detentores de um ministério público.

Penso eu, e sei que muitos pensam da mesma forma, que o sacerdote deve se vestir de forma que os católicos reconheçam quem ele é. Saibam que ele é um sacerdote católico!
A cor não é desculpa, se o fosse, ninguém usava a cor preta, além disso, foi autorizado o uso de cores claras como o cinza.
O calor não é desculpa: ora, se o sacerdote fosse um advogado ou um segurança ou empresário não teria que usar terno e gravata? (que imagino ser muito pior do que uma batina)
Nós moramos num país tropical, porém, isso não impede que a maioria das mulheres dêem preferência ao uso da calça ao invés de uma saia/vestido.
Além disso, nunca se ouviu falar que um padre tenha morrido de calor por conta da batina; agora, que muitas pessoas pegaram insolação por conta da pouca roupa e muita exposição ao sol, isso todos temos conhecimento.
É tão bom quando vemos e reconhecemos um sacerdote na rua. Sem falar que inibiria muitos sacerdotes de cometerem pecados.
Ano passado, estava eu no Hallel conversando com duas irmãs do Instituto Hesed quando apareceram dois homens, um de clergyman e outro sem. Logo, eu e as irmãs pedimos a bênção (que está em desuso, infelizmente) ao senhor que estava de clergyman (ÓBVIO), qual não foi a nossa surpresa quando ele nos disse que era diácono e que o outro senhor é que era o padre. Eu e as irmãs ficamos totalmente sem graça (porque não tínhamos pedido a bênção para ele), porém, pensando bem, ele é que era para ter ficado sem graça, por desobedecer a Igreja.

Pe. Paulo Ricardo de Clergyman

Pe. Fábio de Melo quando ainda usava o clergyman (Sim! Um dia ele usou)

Padres de Clergyman e/ou hábito

O Código de Direito Canônico também trata da veste dos religiosos. Sabemos que muitos ordens religiosas tem a sua veste apropriada, então, o religioso (frei ou frade) deve usar que tipo de veste?
Dita o Código de Direito Canônico no cânon 669 que:

"Parágrafo 1 - Os religiosos usem o hábito do instituto confeccionado de acordo com o direito próprio, como sinal de sua consagração e como testemunho de pobreza.
Parágrafo 2 - Os religiosos clérigos de instituto que não têm hábito próprio usem a veste clerical de acordo com o cân 284."

Hoje, alguns religiosos e religiosas não mais estão usando hábito (o que é uma pena), e, os religiosos, além de não usarem o hábito de sua congregação, também não usam nem a batina, nem o clergyman, em clara desobediência a Igreja Católica.

Religiosos com o hábito religioso de sua Congregação


Nesse vídeo um sacerdote do Arautos do Evangelho explica por que um sacerdote deve usar a batina.
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

S. Tomás de Aquino


ADORO TE DEVOTE,
LATENS DEITAS




Eu te adoro com afeto, Deus oculto,
que te escondes nestas aparências.
A ti sujeita-se o meu coração por inteiro
e desfalece ao te contemplar.

A vista, o tato e o gosto não te alcançam,
mas só com o ouvir-te firmemente creio.
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus,
nada mais verdadeiro do que esta Palavra da Verdade.

Na cruz estava oculta somente a tua divindade,
mas aqui se esconde também a humanidade.
Eu, porém, crendo e confessando ambas,
peço-te o que pediu o ladrão arrependido.

Tal como Tomé, também eu não vejo as tuas chagas,
mas confesso, Senhor, que és o meu Deus;
faz-me crer sempre mais em ti,
esperar em ti, amar-te.

Ó memorial da morte do Senhor,
pão vivo que dás vida ao homem,
faz que meu pensamento sempre de ti viva,
e que sempre lhe seja doce este saber.

Senhor Jesus, terno pelicano,
lava-me a mim, imundo, com teu sangue,
do qual uma só gota já pode
salvar o mundo de todos os pecados.

Jesus, a quem agora vejo sob véus,
peço-te que se cumpra o que mais anseio:
que vendo o teu rosto descoberto,
seja eu feliz contemplando a tua glória. 

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S. Tomás de Aquino


OS EFEITOS DA EUCARISTIA


- Summa Theologiae IIIa. Pars Qs. 79-80 -
- Sermão sobre o Corpo do Senhor -



01.

No Sacramento da Eucaristia, em virtude das palavras da instituição, as espécies simbólicas se mudam em corpo e sangue; seus acidentes subsistem no sujeito; e nele, pela consagração, sem violação das leis da natureza, o Cristo único e inteiro existe Ele próprio em diversos lugares, assim como uma voz é ouvida e existe em vários lugares, continuando inalterado e permanecendo inviolável quando dividido, sem sofrer diminuição alguma. Cristo, de fato, está inteira e perfeitamente em cada e em todo fragmento de hóstia, assim como as aparências visíveis que se multiplicam em centenas de espelhos.

02.

O efeito deste Sacramento deve ser considerado, portanto, primeira e principalmente em função daquilo que nele está contido, que é o Cristo.Ele, vindo ao mundo em forma visível, trouxe ao mundo a vida da graça, segundo nos diz o Evangelho de João:

"A graça e a verdade, porém,
vieram por meio de Jesus Cristo".

Assim, da mesma forma, vindo Cristo ao mundo em forma sacramental, opera a vida da graça, segundo ainda outra passagem do mesmo Evangelho:

"Quem me come,
viverá por mim",

03.

O efeito deste Sacramento deve, ademais, ser considerado também pelo que ele representa, que é a Paixão de Cristo. Por isto, o efeito que a Paixão de Cristo realizou no mundo, este Sacramento também realiza no homem.

04.

O efeito deste Sacramento também deve ser considerado pelo modo através do qual ele é trazido aos homens, que é por modo de comida e bebida. E por isto todo efeito que a bebida e a comida material realizam quanto à vida corporal, isto é, sustentar, crescer, reparar e deleitar, tudo isto realiza este Sacramento quanto à vida espiritual. E é por isto que se diz:
"Este é o pão da vida eterna,
pelo qual se sustenta
a substância de nossa alma".

De onde que o próprio Senhor diz, no Evangelho de São João:

"Minha carne é verdadeiramente comida,
e meu sangue é verdadeiramente bebida".

05.

Finalmente, o efeito do Sacramento da Eucaristia deve ser considerado pelas espécies em que este Sacramento nos é oferecido. Foi por causa disto que escreveu Santo Agostinho:
"O Senhor confiou-nos
o Seu Corpo e o Seu Sangue
em coisas tais que são reduzidas à unidade
a partir de muitas outras,
porque o pão é um,
embora conste de muitos grãos,
e o vinho é feito
a partir de muitas uvas".

E por isso ele também escreveu em outro lugar:

"Ó Sacramento da piedade,
ó sinal da unidade,
ó vínculo da caridade!".

06.

E porque Cristo e sua Paixão são causa da graça, e uma refeição espiritual e a caridade não podem existir sem a graça, por todas estas coisas é manifesto que este Sacramento confere a graça.

07.

Mas, conforme diz São Gregório na homilia de Pentecostes,
"o amor de Deus não é ocioso;
opera grandes coisas,
se de fato existe".

Por isto, por meio deste Sacramento, o quanto pertence a seu efeito próprio, não somente é conferido o hábito da graça e da virtude, mas também esta é conduzida ao ato, segundo o que está escrito na Segunda Epístola aos Coríntios:

"O amor de Cristo
nos impele".

Daqui é que provém que pela virtude do Sacramento da Eucaristia a alma faz uma refeição espiritual por deleitar-se e inebriar-se pela doçura da bondade divina, segundo o que diz o Cântico dos Cânticos:

"Comei, amigos, e bebei;
e inebriai-vos, caríssimos".

08.

Este Sacramento também tem virtude para a remissão dos pecados veniais, o que pode ser visto pelo fato de que ele é tomado sob a espécie de alimento nutritivo. A nutrição proveniente do alimento é necessária ao corpo para restaurar aquilo que em cada dia é desperdiçado pelo calor natural. Espiritualmente, porém, em nós também é desperdiçado a cada dia algo pelo calor da concupiscência pelos pecados veniais que diminuem o fervor da caridade. E por isto compete a este Sacramento a remissão dos pecados veniais. De onde que Santo Ambrósio diz, no livro Dos Sacramentos, que este pão de cada dia é tomado
"como remédio
da enfermidade de cada dia".

09.

Ademais, a coisa deste Sacramento é a caridade, não somente quanto ao hábito, mas também quanto ao ato, ao qual é conduzida neste Sacramento, pelo qual os pecados veniais se dissolvem. De onde que é manifesto que pela virtude deste Sacramento ocorre a remissão dos pecados veniais. Os pecados veniais, ao contrário dos mortais, não contrariam a caridade quanto ao hábito, mas contrariam a caridade quanto ao fervor do ato, ao qual é conduzida por este Sacramento. É por esta razão que os pecados veniais são perdoados pelo Sacramento da Eucaristia.

10.

O Sacramento da Eucaristia pode também perdoar toda a pena devida ao pecado. Este efeito pode ocorrer tanto por ele ser sacrifício, como por ser sacramento. A Eucaristia possui razão de sacrifício na medida em que é oferecido; possui razão de sacramento na medida em que é tomado.

11.

Como Sacramento, a Eucaristia possui diretamente aquele efeito para o qual foi instituído. Não foi, porém, como Sacramento, instituído para satisfazer, mas para alimentar espiritualmente pela união a Cristo e aos seus membros, assim como o alimento se une ao alimentado. Mas porque esta união se realiza pela caridade, por cujo fervor alguém pode conseguir a remissão não apenas da culpa, mas também da pena, daqui ocorre que por conseqüência, por uma certa concomitância ao efeito principal, o homem alcança a remissão também para a pena. Não, porém, de toda a pena, mas de acordo como o modo de sua devoção e fervor.

12.

Mas, na medida em que é Sacrifício, a Eucaristia possui virtude satisfatória. Entretanto, também na satisfação mais deve se considerar o afeto do oferente do que a quantidade da oblação, de onde que o Senhor disse, no Evangelho de São Lucas, da viúva que ofereceu apenas duas moedas, que
"ofereceu mais do que todos".

Embora, portanto, a oblação eucarística pela sua própria quantidade seja suficiente para a satisfação de toda a pena, todavia torna-se satisfatória para aqueles pelos quais é oferecida, ou também para os próprios oferentes, de acordo com a quantidade de sua devoção, e não por toda a pena.

13.

A Eucaristia também preserva o homem dos pecados futuros, pelo mesmo modo em que o corpo é preservado da morte futura. O pecado é uma certa morte espiritual da alma. Ora, a natureza corporal do homem é preservada da morte pela comida e pelo remédio na medida em que a natureza humana é interiormente fortificada contra o que pode corrompê-la interiormente. É deste modo que este Sacramento preserva o homem do pecado, porque através dele, unindo-se a Cristo pela graça, é fortalecida a vida espiritual do homem, ao modo de uma comida espiritual e um remédio espiritual. É assim que diz o Salmo 103:
"O pão confirma
o coração do homem".

14.

A Eucaristia preserva o homem dos pecados futuros também defendendo-o contra as impugnações exteriores. Pois é sinal da Paixão de Cristo, pela qual foram vencidos os demônios, de modo que este Sacramento repele toda a impugnação dos demônios.

15.

Ainda que este Sacramento não diretamente se ordene à diminuição do incitamento do pecado, diminui, porém, este incitamento por uma certa conseqüência, na medida em que aumenta a caridade, porque, segundo diz Agostinho no Livro das 83 Questões,
"O aumento da caridade
é a diminuição da cobiça".

Diretamente, porém, a Eucaristia confirma o homem no bem, pelo que também é preservado o homem do pecado.

16.

Este Sacramento, ademais, é de proveito para muitos outros além dos que o recebem porque, conforme foi dito, este Sacramento não é apenas sacramento, mas é também sacrifício. Na medida em que neste Sacramento é representada a Paixão de Cristo, pela qual Cristo se ofereceu a Si mesmo como hóstia a Deus, possui razão de sacrifício. Na medida, porém, em que neste Sacramento é trazida invisivelmente a graça sob uma espécie visível, possui razão de sacramento.

17.

Assim, pois, este Sacramento é, para os que o recebem, de proveito não só por modo de sacramento, como também por modo de sacrifício, porque é oferecido por todos os que o recebem.

18.

Mas também é de proveito para os que não o recebem, embora apenas por modo de sacrifício, na medida em que é oferecido pela salvação deles. É por isso que no cânon da Missa se diz:
"Lembrai-vos, Senhor,
dos vossos servos e servas,
pelos quais nós Vos oferecemos,
e eles Vos oferecem também,
este Sacrifício de louvor,
por si e por todos os seus,
pela redenção de suas almas,
pela esperança de sua salvação
e sua segurança".

19.

O próprio Senhor, ademais, expressou que a Eucaristia seria de proveito para outros além dos que a recebem, quando disse, na última Ceia:
"Este cálice é o meu sangue,
que por vós",

isto é, os que o recebem,

"e por muitos"

outros,

"será derramado
para o perdão dos pecados".

20.

Pode-se, porém, argumentar que sendo o efeito deste Sacramento a obtenção da graça e da glória e a remissão da culpa, pelo menos da venial, se este Sacramento realmente tivesse efeito em outros além dos que o recebem poderia acontecer que alguém alcançasse a glória, a graça e a remissão das culpas sem ação nem paixão própria, por algum outro ter oferecido ou recebido este Sacramento.Responde-se a isto dizendo que assim como a Paixão de Cristo é de proveito para todos para a remissão da culpa, e a obtenção da graça e da glória, mas não produz efeito senão naqueles que se unem à Paixão de Cristo pela fé e pela caridade, assim também este sacrifício que é a Eucaristia, memorial da Paixão do Senhor, não produz efeito senão naqueles que se unem a este Sacramento pela fé e pela caridade. De onde que no Cânon da Missa não se ora por aqueles que estão fora da Igreja. Aos que nela estão, porém, o Sacrifício Eucarístico é de proveito maior ou menor de acordo com o modo de sua devoção.

21.

Mas, assim como deve-se dizer que o Sacramento da Eucaristia obtém a remissão dos pecados veniais, assim devemos também dizer que os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento. Pois diz São João Damasceno:
"O fogo do seu desejo que há em nós,
acendendo-se mediante
aquele fogo que há no carvão",

isto é, neste Sacramento,

"queimará nossos pecados
e iluminará nossos corações
para que ardamos e nos deifiquemos
pela participação do fogo divino".

Mas o fogo do nosso desejo ou do nosso amor é impedido pelos pecados veniais, que impedem o fervor da caridade. Portanto, os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento.

22.

Os pecados veniais podem ser considerados de dois modos. De um primeiro modo, na medida em que são passados. De um segundo modo, na medida em que estão sendo exercidos em ato.Segundo o primeiro modo, os pecados veniais de nenhum modo impedem o efeito deste Sacramento. De fato, pode acontecer que alguém, depois de ter cometido muitos pecados veniais, se aproxime devotamente a este Sacramento e alcance plenamente o seu efeito.
Porém, de acordo com o segundo modo, os pecados veniais não impedem totalmente o efeito deste Sacramento, mas apenas em parte. De fato, foi dito que o efeito deste Sacramento não é apenas a obtenção da graça habitual ou da caridade habitual, mas também uma certa refeição atual de espiritual doçura. A qual, na verdade, é impedida se alguém se aproximar a este Sacramento com a mente distraída pelos pecados veniais. O aumento da graça habitual ou da caridade habitual, porém, não é tirado.

23.

Aquele que com o ato do pecado venial se aproxima deste Sacramento come espiritualmente segundo o hábito, mas não segundo o ato. E por isto recebe o efeito deste Sacramento segundo o hábito, não segundo o ato.

24.

Nisto o Sacramento da Eucaristia difere do Batismo, porque o Batismo não se ordena a um efeito atual, isto é, ao fervor da caridade, do modo como ocorre com o Sacramento da Eucaristia. O Batismo é uma regeneração espiritual, pelo qual se adquire uma primeira perfeição, que é um hábito ou forma; mas a Eucaristia é uma refeição espiritual que possui uma deleitação atual.

25.

Quem está em pecado mortal comete sacrilégio ao receber a Eucaristia, porque há duas coisas sacramentais na Eucaristia. A primeira, significada e contida, é o próprio Cristo; a segunda, significada mas não contida, é o Corpo Místico de Cristo, isto é, a sociedade dos santos. Quem quer que, pois, receba este Sacramento, só por isto significa estar unido a Cristo e aos seus membros. Ora, isto se realiza pela fé formada pela caridade, que ninguém pode possuir juntamente com o pecado mortal. E por isto é manifesto que quem quer que receba este Sacramento em pecado mortal comete nele falsidade. Incorre, por este motivo, em sacrilégio, como violador do Sacramento. Peca, por causa disto, mortalmente.

26.

Os pecadores, porém, que tocavam o Corpo de Cristo não sob a espécie sacramental, mas em sua substância própria, não pecavam. Às vezes até alcançavam o perdão dos pecados, como se lê no Evangelho de São Lucas a respeito da mulher pecadora. Isto acontecia porque o Cristo, aparecendo sob a sua espécie própria, não se exibia para ser tocado pelos homens em sinal de união espiritual com Ele, como é o caso quando se oferece para ser recebido neste Sacramento. Foi por isso que os pecadores que o tocavam em sua própria espécie não incorriam no crime de falsidade contra a divindade, como o fazem os pecadores que recebem este Sacramento.

27.

O pecador que recebe o Corpo de Cristo pode ser comparado, quanto à semelhança do crime, a Judas que beijou Cristo, porque ambos ofendem a Cristo sob um sinal de caridade.Esta semelhança compete a todos os pecadores em geral, porque por todos os pecados mortais age-se contra a caridade de Cristo, de que é sinal este Sacramento, e tanto mais quanto os pecados são mais graves.
Mas sob um aspecto especial os pecados contra o sexto mandamento tornam o homem mais inepto para o recebimento deste Sacramento, na medida em que, a saber, por este pecado o espírito é maximamente submetido à carne, e desta maneira é impedido o fervor do amor que é requerido neste Sacramento.

28.

Que ninguém, pois, se aproxime desta Mesa sem reverente devoção e fervente amor, sem verdadeiro arrependimento, ou sem lembrar-se de sua Redenção.Maravilhoso é este Sacramento em que uma inefável eficácia inflama os afetos com o fogo da caridade. Que revigorante maná é aqui oferecido para o viajante! Ele restaura o vigor dos fracos, a saúde para os doentes, confere o aumento da virtude, faz a graça superabundar, purga os vícios, refresca a alma, renova a vida dos aflitos, vincula uns aos outros todos os fiéis na união da caridade. Este Sacramento da fé também inspira a esperança e aumenta a caridade. É o pilar central da Igreja, a consolação dos que falecem, e o acabamento do Corpo Místico de Cristo. A fé amadurece, e a devoção e a caridade fraterna são aqui saboreadas. Que estupenda provisão para o caminho é esta, que conduz o viajante até à montanha das virtudes! Este é o pão verdadeiro que é comido e não consumido, que dá força sem perdê-la. É a nascente da vida e a fonte da graça. Perdoa o pecado e enfraquece a concupiscência. Os fiéis encontram aqui a sua refeição, e as almas um alimento que ilumina a inteligência, inflama os afetos, purga os defeitos, eleva os desejos. Ó cálice de doçura para as almas devotas, este sublime Sacramento, ó Senhor Jesus, declara para os que crêem Tuas maravilhosas obras.

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S. Tomás de Aquino


ORAÇÃO PARA DEPOIS
DA COMUNHÃO




Dou-vos graças, Senhor santo, Pai onipotente, Deus eterno, a vós que, sem merecimento nenhum de minha parte, mas por efeito de vossa misericórdia, vos dignastes saciar-me, sendo eu pecador e vosso indigno servo, com o corpo adorável e com o sangue precioso do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.Eu vos peço que esta comunhão não me seja imputada como uma falta digna de castigo, mas interceda eficazmente para alcançar o meu perdão; seja a armadura da minha fé e o escudo da minha boa vontade; livre-me de meus vícios; apague os meus maus desejos; mortifique a minha concupiscência; aumente em mim a caridade e a paciência, a humildade, a obediência e todas as virtudes; sirva-me de firme defesa contra os embustes de todos os meus inimigos, tanto visíveis como invisíveis; serene e regule perfeitamente todos os movimentos, tanto de minha carne como de meu espírito; una-me firmemente a vós, que sois o único e verdadeiro Deus; e seja enfim a feliz consumação de meu destino.
Dignai-vos, Senhor, eu vos suplico, conduzir-me, a mim pecador, a esse inefável festim onde, com o vosso Filho e o Espírito Santo, sois para os vossos santos luz verdadeira, gozo pleno e alegria eterna, cúmulo de delícias e felicidade perfeita.
Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor Nosso.
Amén.

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S. Tomás de Aquino


ORAÇÃO PARA ANTES
DA COMUNHÃO




Ó Deus eterno e todo poderoso, eis que me aproximo do Sacramento do vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo.Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade; pobre e indigente, ao Senhor do céu e da terra.
Imploro, pois, a abundância da vossa liberalidade, para que vos digneis curar a minha fraqueza, lavar as minhas manchas, iluminar minha cegueira, enriquecer minha pobreza, vestir minha nudez.
Que eu receba o pão dos anjos, o rei dos reis e o Senhor dos senhores com o respeito e a humildade, com a contrição e a devoção, a pureza e a fé, o propósito e a intenção que convém à salvação da minha alma.
Dai-me que receba não só o Sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, mas também o seu efeito e a sua força.
Ó Deus de mansidão, fazei-me acolher com tais disposições o Corpo que vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, recebeu da Virgem Maria, que seja incorporado ao seu Corpo Místico e contado entre seus membros.
Ó Pai cheio de amor, fazei que, recebendo agora vosso Filho sob o véu do Sacramento, possa na eternidade contemplá-Lo face a face.
Amén.

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